Desde seu descobrimento, em meados da década de 80, o HIV fez milhares de vítimas fatais. Algumas famosas como Cazuza e Fred Mercury e tantas outras anônimas.
Centenas de milhares de pessoas vivem utilizando diversos medicamentos que possibilitam uma vida quase normal, com pequenas restrições. A epidemia da AIDS moveu a ciência de maneiras que vimos poucas vezes historicamente, em um esforço mundial para conter o avanço da doença.
Em pouco mais de 30 anos, o tratamento avançou muito. A doença que antes era sentença de morte, hoje não carrega mais este estigma. Porém, aos soropositivos ainda existem inseguranças como o medo de contaminar aos próprios filhos e a diminuição da qualidade de vida com a ingestão permanente de antirretrovirais.
Muitos cientistas ainda buscam uma cura em larga escala para o vírus do HIV, o que proporcionou dois episódios que soam como verdadeiros milagres da ciência moderna. Pacientes que foram curados da AIDS utilizando um tratamento com células-tronco.
Por cerca de 3 anos ele foi conhecido somente como “Paciente de Berlim”. Tymothy Ray Brown foi diagnosticado com leucemia e já era portador do HIV. Em 2007 seu médico sugeriu que a única chance de se recuperar envolveria um transplante de medula óssea. E que existia a possibilidade de utilizar esse mesmo procedimento para tentar curar o HIV. Isso porque eles possuíam o cadastro de um doador com uma rara mutação que o torna resistente ao vírus da AIDS.
Logo no primeiro transplante ele se viu livre do HIV, porém somente no segundo transplante foi que os médicos consideraram a leucemia curada.
Timothy permanece curado do HIV desde então, porém tornou a ser diagnosticado com leucemia, em um estágio já avançado que permite apenas cuidados paliativos. Ainda assim, ele se tornou um porta-voz para a busca incansável de novos recursos para curar a AIDS.
Adam Castillejo já tratava a AIDS desde 2012 quando em 2016 recebeu o diagnóstico de um câncer de sangue de nome Linfoma de Hodgkin. Como seu estado era muito avançado, os médicos sugeriram um transplante imediato para buscar a cura de Adam. E fizeram um procedimento muito similar ao que ocorreu com o “Paciente de Berlim”. Encontraram dois doadores com a mesma mutação que proporciona resistência ao vírus da AIDS e utilizaram estas células-tronco para o transplante de Adam. Após 19 meses seus exames ainda retornam como negativo para o vírus do HIV.
Tentativas similares foram feitas, porém sem atingir o mesmo resultado. O grande problema é que este é um tratamento extremamente agressivo que mina totalmente o sistema imunológico utilizando a quimioterapia, em preparação para receber o transplante. Além disso, a mutação genética necessária utilizada nestes dois casos é extremamente rara. Dois problemas que tornam a aplicação em larga escala complexa e perigosa.
Porém, estes dois pacientes mostram que existe um grande universo a ser explorado para o tratamento do vírus do HIV e motivou muitos cientistas a buscar soluções permanentes para curar pacientes com a AIDS.
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