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Quando vale a pena armazenar o sangue do cordão umbilical?

07 novembro 2012

Material é usado hoje no tratamento de 70 doenças. No futuro, esse leque deve ser ampliado. A dúvida é se o número de beneficiados aumentará também

É cada vez mais comum congelar o sangue do cordão umbilical de filhos recém-nascidos de olho nas pesquisas que mostram que o material, a longo prazo, pode ser usado no tratamento de uma série de doenças. Mas isso realmente vale a pena? Hoje o sangue já é usado no tratamento de 70 doenças diferentes, principalmente leucemia, linfoma, doenças autoimunes (como lúpus) e problemas do sangue, como anemias congênitas, e é uma alternativa ao transplante de medula óssea. O problema é que casos em que ele é utilizado são raríssimos.

“Em 95% dos casos, o material é usado por causa de uma leucemia”, explica o coordenador técnico da empresa Cryogene e professor de Genética e Biotecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Fabio Rueda Faucz. A probabilidade, porém, é de que apenas uma em cada 3 mil crianças precise de um transplante desses.

Dessa forma, hoje, o armazenamento é recomendado só para crianças que têm histórico familiar das doenças que podem ser tratadas com o material. A expectativa é que, no futuro, entretanto, esses usos sejam ampliados.

Os especialistas são taxativos: o armazenamento deste material é o que há de mais promissor na Medicina, quando o assunto é a possibilidade de tratamentos para problemas de saúde até agora incuráveis, como diabete, AVC, enfarte e até lesões na coluna.

Em longo prazo, a expectativa é que pesquisas também comprovem a eficiência do material no controle de doenças degenerativas (como mal de Alzheimer e mal de Parkinson) e problemas pulmonares. “Trabalha-se com a hipótese de que, mesmo que não curem esses problemas, as células poderiam ser usadas como forma de amenizar sintomas e gerar qualidade de vida”, comenta Faucz.

Para o coordenador da Rede de Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical (Brasilcord), Luís Fernando Bouzas, porém, armazenar o material de olho nessas pesquisas tem grandes chances de render uma frustração aos pais.

“Já há publicações dizendo que esse material não é útil para aplicação em outros tecidos, como o cardíaco, nervoso ou renal. Se hoje o índice de uso é pequeno, em longo prazo, dificilmente esse panorama vai mudar.”

Os números de transplantes comprovam essa dificuldade. Segundo Bouzas, há sete bancos públicos em atividade no país. “Hoje, eles concentram cerca de 12 mil cordões e foram feitos apenas cerca de 120 transplantes usando esse material.”

 

Dúvidas

Para os pais que estão em dúvida se fazem o armazenamento do cordão dos filhos, a recomendação dos médicos é uma só: ter cautela. “Se a pessoa tem dinheiro para manter o material de maneira particular e se sente mais segura com isso, a iniciativa é positiva, mas a gestante não precisa se desesperar se não puder, já que não tem a mínima comprovação de que esse material será usado”, recomenda a médica do Serviço de Trans¬plante de Medula Óssea do Hos¬pital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Daniela Setubal.

Para ela, o ideal é que os pais se informem bem sobre as possibilidades e não se deixem levar pela publicidade em torno da questão. “No futuro, outras tecnologias podem ser desenvolvidas e o cordão umbilical, mesmo hoje, não é a única forma de tratamento de leucemia, linfoma e doenças do sangue.”

 

Guardar para tentar garantir o futuro

Quando descobriram que Vicente, hoje com 4 meses e meio, estava a caminho, o médico Carlos Cunha Pereira Neto e sua esposa, a arquiteta Iara (foto), não pensaram duas vezes e decidiram fazer o armazenamento do sangue do cordão umbilical do filho em um banco privado. “Não quero que ele tenha uma doença e espero que ele nunca use a amostra que guardamos, mas, se alguma coisa acontecer, o Vicente está protegido e vai ter mais essa opção para resolver o problema da melhor forma possível”, diz o pai. Segundo ele, o desenvolvimento desta área da Medicina foi fundamental para a escolha. “Sou médico, então sei que não há certeza quanto aos futuros usos, mas existem diversas indicações de que eles são promissores.”

 

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Mitos e verdades

Veja o que é realidade ou não quando o assunto é congelamento de sangue de cordão umbilical

– O procedimento dói, compromete a saúde da criança e prejudica a recuperação do parto.

Mito. O sangue é extraído da placenta, após o corte do cordão umbilical, o que não gera dor para a mãe ou para o bebê. Da mesma forma, não oferece riscos à saúde da criança e não tem qualquer influência na recuperação da mãe.

– Se a criança tiver leucemia, não pode receber sua própria amostra de material.

Verdade. Se, em longo prazo, a criança apresentar leucemia ou algum problema de saúde genético, se torna inviável a utilização de seu sangue de cordão umbilical no tratamento. Nesse caso, testes de compatibilidade precisam ser feitos para que ela receba a doação de algum parente ou outro doador compatível.

– O uso do sangue do cordão tem menos rejeição em transplantes.

Verdade. Até os seis meses de idade, os glóbulos brancos são imaturos e conseguem se adaptar melhor em outros organismos. Com isso, as chances de rejeição aguda ao transplante são menores.

– As células do sangue estouram após o congelamento e poucas ficam em condições de serem usadas.

Mito. O processo de congelamento é seguro e preserva as estruturas celulares. A viabilidade média de utilização das células depois do congelamento é de 85% – 65% já seria suficiente para um transplante ser satisfatório.

– O material congelado não dura muito tempo.

Mito. Hoje, sabe-se que as células se mantêm em condições de uso por 25 anos, idade da amostra de sangue de cordão umbilical mais antiga do mundo. Há expectativa de que o material permaneça adequado ao uso por muito mais tempo.

 

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Etapas

Veja os três principais passos para quem pensa em fazer o congelamento do sangue do cordão umbilical

 

A preparação

A família entra em contato com o banco público ou privado e verifica a possibilidade do recolhimento na maternidade onde será feito o parto. Os pais assinam um documento garantindo que consentiram com o procedimento e estão cientes das condições de uso do material. A mãe passa por exames para verificar se não tem doenças genéticas ou infecciosas que inviabilizem a coleta. Nos bancos privados, o ideal é que os pais entrem em contato com a empresa pelo menos duas semanas antes do parto para que seja realizado o preenchimento do contrato e do termo de consentimento do médico que vai realizar o parto. Para armazenar o sangue do cordão, a mãe deve ter mais de 18 anos, estar com, no mínimo, 32 semanas de gestação no dia do parto, não ter infecções ou doenças transmissíveis pelo sangue, como hepatite, toxoplasmose e HIV, não estar com a placenta rota a mais de 18 horas durante o parto e ter realizado exames de sangue para assegurar que está com a saúde em dia e o cordão não está contaminado.

 

A retirada

Segundo os médicos, o procedimento é tranquilo e altamente seguro. Segue-se o processo normal do parto. Após a retirada completa do bebê, o médico obstetra grampeia e corta o cordão umbilical. Enquanto a criança é levada para receber os primeiros cuidados (ser lavada, pesada e avaliada por um pediatra), o obstetra espera que a placenta seja expelida. Neste momento, o profissional da clínica de armazenamento privada ou a enfermeira treinada pelo banco público faz a pulsão do sangue da parte do cordão umbilical ligada à placenta. Em geral, cada procedimento rende cerca de 90 ml de sangue. Feito o recolhimento, as células-tronco são separadas e essa amostra é conservada em um ambiente resfriado a cerca de 180 graus negativos.

 

A utilização

No caso de o material ser armazenado em um banco público, o Brasil conta com o Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome), um cadastro nacional que reúne as informações sobre possíveis doadores em todo o Brasil. Dentro desse banco, há as características dos materiais provenientes de medula óssea e de sangue de cordão umbilical. Os dados são cruzados com o Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme) e o sistema indica qual a melhor alternativa de transplante no caso de cada paciente. Nos bancos privados, o médico responsável pelo tratamento deve entrar em contato com a equipe do banco e, a partir de exames na amostra guardada pela família, é feita a verificação da compatibilidade e possível utilização do material.

 

Fonte: Gazeta do Povo

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